Quando é hora de procurar terapia de casal?
Não precisa esperar a relação estar por um fio. Alguns sinais mostram que vale buscar ajuda, e quanto antes, mais fácil fica.
Por Jéssica Guimarães, psicóloga CRP-03/14451
· 4 min de leitura
A maioria dos casais que chega ao meu consultório online diz alguma versão da mesma frase: “a gente devia ter vindo antes”. Isso porque existe uma ideia muito comum de que terapia de casal é o último recurso, aquilo que se tenta quando já está tudo desmoronando.
Não precisa ser assim. Terapia de casal pode ser um lugar para cuidar da relação enquanto ainda existe vontade dos dois lados. E, na verdade, é quando ela costuma funcionar melhor.
Sinais de que vale a pena procurar ajuda
Cada relação é única, mas alguns sinais aparecem com frequência.
As brigas são sempre as mesmas. Muda o motivo, a louça, o dinheiro, a família dele, o celular dela, mas a discussão termina sempre do mesmo jeito. Um ataca, o outro se fecha. Ou os dois gritam e ninguém escuta. Quando isso acontece, geralmente a briga não é sobre o assunto. É sobre algo que está por baixo e que ainda não encontrou palavra.
Vocês pararam de conversar. Não no sentido de silêncio total, mas de só falarem sobre logística. Quem busca as crianças, o que falta no mercado, quando vence o boleto. A vida a dois virou uma gestão de tarefas.
Um dos dois sente que não é ouvido. “Eu já falei isso mil vezes.” Se essa frase aparece com frequência, existe uma dificuldade de comunicação que não vai se resolver repetindo a mesma coisa mais alto.
A intimidade foi embora. Pode ser o sexo, mas pode ser também o carinho do dia a dia, o interesse pela vida do outro, a vontade de passar tempo junto.
Aconteceu algo que abalou a confiança. Uma traição, uma mentira importante, uma decisão tomada sozinho que afetou os dois. Reconstruir a confiança é possível, mas é difícil de fazer sem ajuda.
A vida mudou e a relação não acompanhou. A chegada de um filho, uma mudança de país, a perda de um emprego, a doença de alguém da família. Grandes mudanças pedem que o casal se reorganize, e nem sempre isso acontece naturalmente.
“Mas e se o outro não quiser ir?”
Essa é uma situação muito comum. Às vezes um dos dois acha que não é preciso, ou tem receio de ser apontado como o culpado.
Vale dizer: na terapia de casal, ninguém está ali para decidir quem tem razão. A paciente, digamos assim, é a relação. O trabalho é entender o padrão que se formou entre os dois e como cada um contribui para ele, sem buscar culpados.
Se mesmo assim o outro não quiser participar, a terapia individual pode ajudar você a entender o que está sentindo e o que pode fazer de diferente. Mudar o próprio jeito de agir já muda a dinâmica do casal.
Terapia de casal é para salvar o casamento?
Não necessariamente. O objetivo é ajudar os dois a enxergarem com mais clareza o que está acontecendo. Para muitos casais, isso significa reaproximação. Para outros, significa perceber que o melhor caminho é a separação, e fazer isso de um jeito mais cuidadoso, com menos mágoa, principalmente quando há filhos.
As duas saídas são legítimas. O que a terapia tenta evitar é que a decisão seja tomada no meio de uma briga, com raiva, sem entender o que levou até ali.
Como funciona na prática
Na primeira sessão, quero ouvir os dois. Como se conheceram, o que mudou, o que cada um espera da terapia. Às vezes as expectativas são bem diferentes, e isso já é uma informação importante.
Ao longo das sessões, trabalhamos com situações reais da semana: uma discussão que saiu do controle, uma conversa que não aconteceu. Aos poucos, vocês aprendem a perceber o que está por trás das reações e a se comunicar de um jeito que o outro consiga ouvir.
A terapia de casal pode ser feita online, com os dois juntos no mesmo lugar ou cada um de onde estiver. Para casais que moram em cidades ou países diferentes, isso faz muita diferença.
Se você se identificou
Não precisa ter certeza de nada para dar o primeiro passo. Se vocês estão sentindo que a relação merece mais cuidado, isso já é motivo suficiente.
Pode me chamar no WhatsApp para tirar dúvidas antes de marcar. Conversar sobre como funciona não compromete ninguém.
Este texto é informativo e não substitui uma avaliação psicológica. Se você se identificou com o que leu, conversar com um profissional pode ajudar.