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JÉSSICA GUIMARÃES Psicóloga CRP-03/14451

Terapia online funciona? O que muda em relação à presencial

Muita gente ainda desconfia da terapia por vídeo. Conto o que muda, o que continua igual e como aproveitar melhor as sessões online.

Por Jéssica Guimarães, psicóloga CRP-03/14451
· 4 min de leitura

Essa é uma das perguntas que eu mais recebo no WhatsApp, quase sempre antes da primeira sessão. E faz sentido. Por muito tempo a gente imaginou terapia como aquela cena do sofá, a sala silenciosa, a psicóloga na poltrona da frente. Trocar isso por uma tela parece, à primeira vista, perder alguma coisa.

A resposta curta é: sim, funciona. A resposta mais honesta é que funciona quando algumas condições estão presentes, e boa parte delas depende de pequenos cuidados que você mesmo pode tomar.

O que faz a terapia funcionar

Existe bastante pesquisa sobre o que faz alguém melhorar na terapia. Um dos fatores que mais aparece é a qualidade da relação entre paciente e terapeuta. Sentir que pode falar com sinceridade, que não vai ser julgado, que a pessoa do outro lado está realmente prestando atenção.

Essa relação não depende de estar na mesma sala. Ela depende de escuta, de tempo e de confiança, e tudo isso se constrói muito bem por vídeo. Os estudos que comparam terapia online e presencial, para questões como ansiedade e depressão, encontram resultados parecidos entre os dois formatos.

Na minha experiência, o que costuma acontecer é o contrário do que as pessoas temem. Muita gente se sente mais à vontade em casa, no próprio canto, sem precisar encarar trânsito ou sala de espera. Já ouvi mais de uma vez: “achei que ia ser estranho, mas esqueci que era pela tela”.

O que muda de verdade

Algumas coisas são diferentes, e é bom saber:

Você precisa criar o seu espaço. No consultório, a privacidade já vem pronta. Em casa, você precisa garantir um lugar onde ninguém vai entrar e onde ninguém vai ouvir. Pode ser o quarto, o carro estacionado, uma sala de reunião no trabalho. Fone de ouvido ajuda muito.

A transição é mais curta. Quem vai ao consultório tem o caminho de ida e de volta para pensar. Online, você fecha uma reunião e abre a sessão. Por isso eu sugiro reservar cinco minutos antes e depois, nem que seja para tomar uma água e respirar.

A internet às vezes falha. Acontece. Quando a ligação cai, a gente volta, ou troca do Google Meet para o vídeo do WhatsApp. Não é motivo para ansiedade, faz parte.

O que não muda

O sigilo continua igual. O compromisso ético da psicóloga é o mesmo, e as sessões não são gravadas.

A forma de trabalhar também é a mesma. Na primeira sessão, eu quero conhecer a sua história, o que está acontecendo agora e o que você espera. A partir daí, definimos juntos os objetivos e o ritmo, que pode ser semanal ou quinzenal.

E a terapia continua exigindo a sua parte. Nenhum formato faz o trabalho sozinho. O que muda a vida é o que você leva das sessões para a semana.

Quando a terapia online facilita

Para algumas pessoas, o online não é só uma alternativa. É o que torna a terapia possível:

  • Quem mora fora do Brasil e quer ser atendido em português, por alguém que entende o contexto de onde veio.
  • Casais em que cada um está em uma cidade, ou que têm filhos pequenos e não conseguem sair juntos.
  • Famílias espalhadas, em que cada membro pode entrar na chamada de onde estiver.
  • Quem tem uma rotina apertada e perderia uma hora só no deslocamento.

Quando talvez não seja o melhor caminho

Há situações em que o atendimento presencial ou outro tipo de cuidado é mais indicado. Por exemplo, crises graves, em que a pessoa corre risco, pedem uma rede de apoio mais próxima. Se for o seu caso, procure o CVV pelo 188 ou um serviço de emergência perto de você.

Também vale pensar se você tem, de fato, um lugar reservado para falar. Se a única opção for a sala com a família inteira por perto, conversamos sobre alternativas antes de começar.

Para aproveitar melhor as sessões

Algumas dicas simples que fazem diferença:

  • Use fone de ouvido, de preferência com microfone.
  • Deixe o celular no silencioso e feche as outras abas.
  • Tenha água por perto, e um lenço também. Às vezes a gente precisa.
  • Se puder, anote durante a semana o que quer levar para a sessão.

Se ficou com alguma dúvida sobre como funciona na prática, é só me mandar uma mensagem. Eu explico com calma antes de você decidir.

Este texto é informativo e não substitui uma avaliação psicológica. Se você se identificou com o que leu, conversar com um profissional pode ajudar.

Jéssica Guimarães fazendo anotações durante um atendimento online, com o computador e o celular à frente
Será um prazer caminhar ao seu lado nesse processo.

Quer conversar sobre isso?

Mande uma mensagem pelo WhatsApp. Eu respondo com os horários disponíveis, os valores e as formas de pagamento.

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